"A NOSSA LINGUAGEM CRIA O MUNDO."

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A REPRESENTAÇÃO DA MODA



A sociedade européia influenciou o mundo, diante das transformações culturais e tecnológicas da época, formando um novo mosaico que afetaria inclusive a moda. Ou seja, o discurso da moda expressa manifestações, artísticas, culturais, econômicas e étnicas, que por meio de estudos antropológicos fascinam as análises referente à moda, que vai além da banalidade demonstrada por meio da futilidade produzida pela ignorância.
Relativo ao século XIX percebemos que a vida coletiva dos centros urbanos foi afetada pela imersão na era industrial, antecedendo a vida metropolitana contemporânea. Os trajes masculinos que eram refinados, ocasionado pelo capitalismo industrial, foram substituídos pela figura austera empreendedora.
Até o século XVIII os homens viam no vestuário um sinônimo de poder, porém depois disso as mulheres passaram a explorar esse cenário e a moda masculina se limitou às roupas escuras e sóbrias. Assim, o poder patriarcal passou a ser representado pela ostentação das roupas usadas pelas esposas, mães e filhas.
A Revolução Industrial foi responsável pela mudança que percebemos até os dias atuais. Então, podemos responsabilizar o capitalismo industrial pelas mudanças estruturais da sociedade que refletiram na percepção dos vestuários.
Assim, constatamos que a representação e percepção do comportamento social pode ser “costurado” pelo cenário da moda, que é representado por símbolos que demonstram a evolução social ocorrida no cenário público e privado, acarretando em conceitos de uma Era.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO





Scott Pilgrim Contra o Mundo é uma HQ (canadense) que foi adaptada para o cinema e para os games. Mas, como assim? Scott Pilgrim agora é um jogo? Não. Acontece que a adaptação que vemos na tela do cinema ganhou elementos encontrados nos games.
O clima fantástico não é banal ou apenas empolgante, mas tem o papel de desenvolver um tom metafórico que enriquece a obra.
As batalhas que envolvem todo o enredo não são, simplesmente, meras lutas com efeitos especiais de distração. A representação das batalhas significa a luta pelo amor. As batalhas que enfrentamos em uma relação, o passado que carregamos e as experiências que tivemos em relacionamentos anteriores são alicerces para que o amor verdadeiro possa ser percebido. Pois, quando esquecemos os ex-namorados(as) e lutamos pelo amor de certo alguém, podemos dizer que encontramos o amor de nossas vidas.
Outra metáfora usada na obra cinematográfica são as “vidas” que Scott conquista. Essas “vidas” representam a vontade da sociedade em ter novas chances para corrigir algumas frustrações vividas.
Quando Scott afirma que a mudança na cor do cabelo de Ramona demonstra que ela é instável e impulsiva ele faz um discurso explícito da personalidade da jovem. Esses elementos, que constituem a personalidade de Ramona, devem-se ao fato de que ela está sempre em busca da felicidade liquida. Assim, que conquista algo (ou ganha um jogo) ela sente a necessidade de buscar um novo desafio.
Há dois subtextos que usam o cabelo para dialogar com o público. Quando Scott entra em pânico ao Ramona fala do mesmo, demonstra a insegurança, referente à aparência, cultivada pela sociedade contemporânea. E quando Knives pinta o cabelo para parecer com sua rival, representa a falta de auto-estima que lhe atormenta no momento.
Além do lado cômico da obra, temos: a ideologia vegan (tratada com humor); crítica as bandas produzidas por gravadorasos; recursos pós-modernos na montagem; a homossexualidade demonstrada de forma não-educativa, tornando menos cansativa para quem assiste; e toda a cultura pop do mundo nerd.
A mensagem dada na batalha final é fácil de ser identificada. Quando Scott diz que quer lutar por ele, ao invés de dizer que é por Ramona, ele nos sugere que para que possamos lutar pelo amor de alguém, primeiramente, devemos nos amar. Ou seja, a base de nossas atitudes deve estar ligada ao amor próprio para que, desse modo, estejamos amando o outro.
Enfim, Scott Pilgrim Contra o Mundo, mesmo não pertencendo ao universo dos jogos, torna-se o melhor filme de games. Pois, usa-se a inteligência, para produzir uma história cheia de elementos extraordinários que colorem a obra, com textos e subtextos bem produzidos, que fascinam todo o público, fãs ou não da HQ que originou o filme.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

VICKY CRISTINA BARCELONA


Vicky Cristina Barcelona é uma obra cinematográfica do consagrado Woody Allen, que após mudar-se para Paris passou a usar a Europa como cenário para os seus filmes, nesse caso a Espanha.
Podemos classificar esta obra como uma representação da felicidade liquida. Os personagens, principalmente Cristina, estão sempre atrás de uma nova oportunidade, um novo início, substituindo a felicidade pela busca da mesma, encerrando a vida em episódios. Desse modo Cristina transforma a viagem à Barcelona em um amor de verão. Então, o Triangulo amoroso vivido por Cristina, Juan Antonio e Maria Elena assume o que podemos denominar de compromissofobia, reduzindo-se ao tempo em que Cristina sente-se satisfeita. A partir do momento que a relação torna-se padrão, ela passa a desejar uma nova busca pela felicidade.
Enquanto, Cristina, faz da sua vida uma corrida interminável em busca da felicidade, Vicky, é totalmente passiva ao conceito da felicidade liquida. Ela não busca nada e sim planeja. Qualquer coisa que saia do controle do que foi previsto a deixa em pânico. É como se ela devesse ter o controle de tudo. Desse modo, ela chega a algum lugar. Porém, para ser feliz é necessário correr e não chegar.
As relações liquidas são focadas na obra. Ou seja, a vontade de consumir, absorver, devorar, ingerir e digerir até que a novidade acabe e inicie-se uma nova relação. Por exemplo, a sensação que Juan Antonio nos passa é de que ele desenvolve relações de bolso. Após separar-se de Maria Elena, mesmo dizendo que está apaixonado por Cristina, percebemos que ele cultiva as duas regras essências para a construção de uma relação liquida. A primeira é a de não se apaixonar. E a segunda que é manter o relacionamento do jeito que é, sem que tenha algum comando, conectando e se desconectando quando bem entender.
Um personagem que não tem grande função no enredo, mas desempenha um papel critico na obra, é o pai de Juan Antonio. O senhor é um poeta que acredita que nenhum escritor deveria ter suas palavras poluídas por outra língua, referindo-se a tradução (sabemos que esse recurso intertextual destrói a essência de qualquer poema). Também, o pai de Juan não expõe suas obras para o mundo, pois tem raiva do mesmo e, por isso, o priva da sua arte, como vingança.
A ex-mulher de Juan Antonio ao mesmo tempo em que o completa o abala. Maria Elena também se sente assim com a presença do ex-marido. Ela vive em um mundo sombrio e perturbado. Porém, com a presença de Cristina, eles passam a ter uma sintonia perfeita em uma relação a três, servindo como uma metáfora de que paradigmas podem ser quebrados e que o amor não pode ser explicado, apenas vivido, e que para o coração e convivência não existem regras.                                                       Uma das maiores mensagens que a personagem de Maria Elena nos deixa é de que “só um amor não realizado pode ser romântico”, voltando ao conceito da felicidade liquida de que para ser feliz temos que buscar e não encontrar.
Em síntese, todos os personagens sofrem com as angustias que acompanham a busca pela felicidade. Vicky, mesmo insatisfeita emocionalmente, sente a necessidade de ter tudo pré-estabelecido, ainda sabendo que isso não lhe fará feliz. Porém, o medo de arriscar é maior que a vontade de buscar a felicidade. Cristina vive inquieta com seus pensamentos sobre vida e amor. E, assim, os personagens vão se formando ao redor dessas duas amigas, que passam por provações que poderiam ter mudado suas vidas em uma viagem de verão para a Espanha, mas que o medo (no caso de Vicky) e a busca pela felicidade (no caso de Cristina) impediram.

MORTE E VIDA DE CHARLIE


A editora “Novo Conceito” vem acertando em seus lançamentos, seguindo a linha das consagradas obras de Nicholas Sparks, a nova aposta foi em Ben Serwood e em sua obra “Morte e Vida de Charlie St Cloud”, que inclui amor, valores familiares e tragédia.
Esses elementos que compõem a diegese chamaram a atenção do cinema que, então, produziu uma adaptação belíssima e comovente da obra literária. Muitos críticos dizem que a obra cinematográfica “Morte e Vida de Charlie”, foca-se na fé espírita, porém, desacredito. A opção de termos no enredo espíritos é um mecanismo para mostrar a força do amor, os laços familiares e amigáveis.
O fato de termos um astro “teen” no elenco nos leva a quebrar preconceitos em relação a esses atores, que um dia crescem e passam a mostrar seus talentos. Desse modo, cabe a cada um fazer o próprio julgamento se Zac Efron mostrou esse talento ou não.
Um ponto importante para reflexão na obra é o motivo pelo qual Charlie sobreviveu. Isso nos leva a pensar que todos nós temos uma missão para termos ganhado nossas vidas. Para que estamos aqui, para que fomos criados e confiados a permanecermos na terra? Eis, que Charlie descobre. Assim, o personagem salva almas e é salvado por elas, sempre motivado pela fonte da vida, o amor.
“Morte e Vida de Charlie” é um filme adorável, que inclui Ramones na trilha sonora, desempenhando a função de quebrar o tom melancólico, que se estende ao longo da narrativa e animando o público que se encontra na platéia.
O filme, assim, como o livro, nos mostra os sentimentos mais sublimes, por meio dos personagens, perfeitamente, criados: amor, amizade, família, relacionamento, dedicação, fidelidade, coragem, ciúmes superados pelo amor generoso e sonhos interrompidos, mas não perdidos.
O poema de E.E Cummings, como texto intertextual na obra, funciona como uma mensagem para o público de que devemos nos arriscar. Assim, como para o personagem de Efron, que deve sair do mundo em que criou no cemitério e passar a viver, ou seja, se arriscar, já que a vida é um risco que devemos viver.
“Confie em seu coração
Se os mares explodirem em chamas
E viva pelo amor
Mesmo que as estrelas se movam para trás.”
                                                             E.E.Cummings

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

VERONIKA DECIDE MORRER




Digamos que a “elite intelectual” costuma ver com maus olhos as obras que carregam o nome de Paulo Coelho. A análise em questão não tem o intuito de comprovar ou não se suas obras são dignas de criticas negativas ou positivas. O que vamos analisar é a adaptação cinematográfica de sua obra homônima “Veronika decide morrer”. Uma obra rica em reflexões contemporâneas, focada no que podemos chamar de mal do século, a depressão.
O filme inicia com a narração de Veronika que prevê sua vida (a vida igual de todo mundo) e não sente felicidade em saber o seu futuro, mas sim uma grande frustração.
A vida de Veronika resume-se em um bom trabalho (considerado pela sociedade), assistente executivo contável, tem um padrão de vida estável, seu próprio apartamento e muitos antidepressivos.
Veronika não encontrando sentido para uma vida previsível decide morrer. Então, com a intenção de ter uma overdose, toma vários de seus comprimidos. Ao iniciar os sintomas de que a morte se aproxima, Veronika, vai para frente do computador (nos dias atuais passar os últimos minutos de sua vida acessando a internet também é previsível, não?) e começa a escrever para seus pais, por fim desiste. Ela manda um email, para uma empresa, dizendo que prefere se matar a participar da loucura coletiva em que vivemos, criticando a propaganda da mesma.
Porém, sua morte é frustrada e acorda em uma clinica psiquiatra, onde dão a noticia de que por causa do excesso de remédios ela desenvolveu um aneurisma e tem apenas algumas semanas de vida. Nesse momento, Veronika se preocupa com o tempo que tem, próprio do ser humano que vive tudo guiado pelo tempo e não pelo instinto.
O conceito de loucura é tratado por meio de uma história contada por uma colega de quarto de Veronika, que narra a história de um mago, tema recorrente nas histórias de Paulo Coelho.
No contexto da clinica psiquiátrica chama-se a atenção, também, para Eddie, um paciente que após perder a namorada em um acidente, cujo se sente responsável, deixa de se relacionar com as pessoas, por meio da fala.
O médico que coordena a clinica usa Veronika para curar o rapaz. Que ao se apaixonar por ela e ter medo de perdê-la encontra a motivação para voltar a se comunicar. Vejamos o que o psiquiatra diz a respeito da relação de Eddie com Veronika, ao ser indagado de que isso não faria bem a Eddie, já que Veronika iria morrer.


“Para perder alguém é preciso sentir primeiro uma ligação autêntica.”

Assim como Veronika passa a ser a salvação para Eddie ele também desenvolve essa função, pois os prazeres pelas coisas simples da vida afloram em Verônica por meio do desejo por Eddie.

Desse modo surge um diálogo, entre o médico e Veronika, importante para que o telespectador possa refletir sobre a obra e a vida.

“Dr. Blake: – O desejo se contrapõe ao medo. Hoje, muita gente substituiu quase todas suas emoções pelo medo. Quando todos têm sonhos, mas só alguns os realizam... isso torna o resto de nós covardes.

Verônika: - Mesmo se esses poucos estão certos?

Dr. Blake: - Especialmente nesses casos. Se todos realizassem seus sonhos este lugar estaria vazio.

Enfim, Eddie que até então se expressa apenas por meio de desenhos consegue se comunicar pela linguagem verbal. Veronika passa a ter vontade de viver e eles “fogem” juntos da clinica e encontram a felicidade nas coisas simples da vida.
O Doutor resolve seguir o conselho de uma ex-paciente/amiga e deixa o lugar onde se esconde do mundo (o trabalho) e vai “sentar no parque”.
O filme, então, termina com a narração de Dr. Blake, que diz que para a cura de Veronika ele usou do único remédio no qual tem fé: a consciência da vida, considerando cada dia um milagre, o que é mesmo.

“Se você fechar a porta a noite pode durar para sempre

Deixe a luz do sol lá fora e diga olá ao nunca

Todos estão dançando e estão se divertindo muito

Eu queria que isso acontecesse comigo...”