"A NOSSA LINGUAGEM CRIA O MUNDO."

quarta-feira, 25 de abril de 2012

UM MÉTODO PERIGOSO - ENTRE A MORAL E O PRAZER


Em “Um Método Perigoso” o diretor canadense David Cronenberg se apropria das ideias de Sigmund Freud, Carl Jung, Sabina Spielrein e Otto Gross para criar um filme onde os mesmos se debatem entre teoria e prática.
Baseado na peça The Talking Cure, de Christopher Hampton, observamos o nascimento da psicanálise e os questionamentos enfrentados por meio do conservadorismo imposto pela sociedade, para que sejamos tratados como “normais”.
Spielrein e Gross (colegas de trabalho de Freud e Jung) por não se adequarem ao padrão sexual, são tratados por Carl Jung. No entanto, seus pacientes passam a influencia-lo. Nas sessões com Gross os papéis se invertem. Otto Gross encoraja Jung a render-se aos desejos pela paciente russa.
Sabina Spielrein, por sua vez, sente-se culpada pelo seu masoquismo, desenvolvendo uma patologia e sendo internada na clinica em que irá ser tratada por Jung que testará o novo método criado por Freud.
Freud não aceita novas teorias, pois tem medo de colocar sua credibilidade em risco. Por esse motivo corta relações com aquele que até então era o seu pupilo. Percebemos que Freud sente-se ameaçado por Jung. Um ariano rico e com novas ideias, passa a ser visto como uma ameaça ao pai da psicanálise.
Otto Gross é aquele que não reprime seus desejos, que abre mão da vida convencional para viver uma vida de prazeres, ao estilo “sexo, drogas e rock’n’roll”. Gross pode ser considerado o mais louco ou o mais resolvido da história, dependendo da percepção e ideais de quem o julga.
Em meio a diálogos e estudos referentes à mente humana, prazeres e repressões impostos pela mente, Cronenberg, ainda trata da perseguição que Sabina Spielrein e Sigmund Freud sofreram pelos nazistas, pois “os anjos falam alemão”.


FICHA TÉCNICA


Diretor: David Cronenberg
Elenco: Michael Fassbender, Viggo Mortensen, Keira Knightley, Vincent Cassel, Sarah Gadon, Michael Fassbender
Produção: Martin Katz, Marco Mehlitz
Roteiro: Christopher Hampton
Fotografia: Peter Suschitzky
Trilha Sonora: Howard Shore
Duração: 99 min.
Ano: 2011
País: EUA
Gênero: Drama

sábado, 24 de março de 2012

O SOFRIMENTO DA MÁQUINA


É tudo muito organizado no mundo exterior, os caminhos são ruas retas que levam sempre a um bosque harmonioso, com pássaros cantantes e flores perfumadas.  
Realmente, se sua vida fosse uma exposição de fotos, seria muito bonita, muito colorida e com muitos sorrisos, qualquer um iria sentir vontade de se transportar para dentro daquelas imagens congeladas. Nas fotos tudo é fascinante, uma bela montagem para os momentos de observação da lente (olho) que observa.
Nos preocupamos com o trabalho, com a convivência, com os bens que iremos possuir. Possessão. Queremos ter tudo e quando conseguimos uma grande quantidade desse “tudo”, todos aplaudem e se deslumbram com tanta capacidade de ser bem sucedida. Ela tem de tudo, que pessoa admirável, invejável, pessoa sortuda.
Não trata-se de sorte. Ela é muito empenhada. Se tem tudo o que tem é porque batalhou. Que batalha é essa? Uma batalha insaciável por mais. Mais o que? Uma casa, um carro e móveis bonitos. Ah, claro, um emprego estável. Ela vai trabalhar no mesmo lugar a vida inteira, vai desempenhar a mesma função até o fim de sua "vida útil". Que bela máquina, quanto custa? Pouco, perto do lucro que nos dá. Uma grande sorte ela não pensar, poderia se revoltar contra nós, mas tomamos todo o cuidado, para que isso não venha a ocorrer.
Todos a invejaram, competiram e quiseram ser como ela. Ela só queria não ser quem foi. Suas inquietações, sofrimentos, momentos epifanicos frustrados, isso ninguém nunca enxergou.  Ninguém vê o que você sente (óbvio), mas sim o que você representa para a sociedade.  
Um dia você acaba, a sociedade permanece. O que vale a pena?

P.S E hoje resolvi criar e não analisar a criação. Mesmo que seja dificil mudar e admitir a triste verdade, é digno ter consciencia do "funcionamento" humano.

sexta-feira, 16 de março de 2012

LES AMOURS IMAGINAIRES




Les Amours Imaginaires (Amores Imaginários), com roteiro e direção do jovem canadense Xavier Dolan, inicia-se com depoimentos de pessoas comuns, que sofrem de um mesmo mal, o amor, como é comum acontecer entre os habitantes da Terra. Os depoimentos já cativam o público que certamente se identificará com algum dos relatos. Uma moça que implora pela atenção do ser idealizado e aguarda em um mix de adrenalina e angústia. Uma jovem que foi abandonada pelo namorado e sente saudades do conceito do relacionamento.
Apenas com os depoimentos desses personagens seria possível analisarmos a arte de amar (e se machucar), mas existe muito mais. Tornamos-nos íntimos de Marie e Francis, dois amigos que se apaixonam pelo mesmo objeto. O objeto é Nicolas, convém o chamarmos de objeto, pois é assim que ele se coloca, flerta com ambos, curte ser admirado, mas permanece intacto. Enquanto os amigos se consomem pelos sentimentos direcionados ao objeto ele permanece inalcançável, exposto apenas para admiração, como uma obra de arte, bela e encantadora, sem passar disso.
“Amores imaginários” ilustra o momento que Marie e Francis idealizam Nicolas, brigam por ele, elaboram estratégias de conquistas, enquanto Nico, o agente principal da história de amor imaginada, encontra-se indiferente ao conflito.
Esteticamente o filme é apaixonante, com um visual retrô – moderno ele transmite uma simplicidade refinada. A trilha sonora conta com a versão italiana de "Bang Bang", de Dalida, que ao término do filme permanece na mente do espectador junto a sequencia de imagens, que se bastam sem nenhum diálogo.
Os diálogos surgem nos momentos certos, inteligentes e reflexivos. Tudo é nos apresentado no local e momento exato. Um grande acerto de Dolan.
Um filme que fala sobre o amor, sobre a idealização, sobre idolatrar a imagem criada pelo “amador”, você cria, logo ama. Porém, o amor verdadeiro sempre volta. O amor presente na amizade de Marie e Francis que superam os sentimentos projetados em Nicolas. Juntos eles vão se iludir e desiludir algumas vezes durante todo o tempo em que permanecerem vivos.


FICHA TÉCNICA


País / Ano: Canadá / 2010
Duração: 95 minutos
Direção: Xavier Dolan
Elenco: Niels Schneider, Monia Chokri, Xavier Dolan

domingo, 26 de fevereiro de 2012

TEATRO: PARA O VAMPIRO - VARIAÇÕES Nº 1



“Para o Vampiro – Variações nº 1” é uma peça dirigida por Marcos Damaceno, escrita pelo mesmo e por Marcelo Bourscheid. A peça estreou no Teatro Novelas Curitibanas em 16 de fevereiro permanecendo em cartaz até o dia 18 de março de 2012. Na seqüência, estará em cartaz no Festival de Curitiba que acontece entre os dias 27 de março a 08 de abril. 
 Usando a estética do frio o personagem em crise, que é separado do mundo pelo o seu próprio mundo, vive a melancolia causada pela pressão de ter que escrever uma peça em sete semanas e se tortura entre as exigências da indústria cultural e a própria vontade. 
O cenário escuro e o temporal expressam a tortura mental a que o escritor se submete. Ele pode escrever, mas não quer. Porque não? Talvez por falta de uma inspiração consistente, porque nada do que ele pensa é original, tudo parece ser copiado, tudo parece ter sido dito, é como se estivesse vampirizando, sugando a essência do outro o tempo todo.
 A peça faz uma critica a indústria cultural, ao teatro de entretenimento. A companhia paga para o público assistir, pois o objetivo não é lucrar e sim espalhar a arte, mesmo que para isso tenha que usar do elemento criticado para atrair a atenção da sociedade.
Enfim, trata-se de uma obra que questiona, que te deixa inquieto e atento a todo movimento representado, a cada palavra dita, pois o personagem que se encontra perdido em seus pensamentos, que ouve vozes, que tem devaneios e se angustia com o tempo que desfaz o encantamento da criação poderia escrever algo divertido, mas não quer, ele não é divertido, ele não pode ser falso com ele mesmo, trair a sua essência melancólica, introspectiva e critica.

Um homem e uma mulher, um homem e duas mulheres, o amor e a morte. Quando “A” história acaba você está morto.


INDICADOS AO OSCAR 2012



O Oscar 2012 acontece hoje, 26 de fevereiro, resolvi postar a tipica listinha dos filmes indicados pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Os meus favoritos deixei em negrito, escolham os seus e vamos "fazer parte" desse espetaculo americano, porque ninguém é imune a um pouco de glamour e formula hollywoodiana.


Melhor filme
"Cavalo de guerra"
"O artista"
"O homem que mudou o jogo"
"Os descendentes"
"A árvore da vida"
"Meia-noite em Paris"
"História cruzadas"
"A invenção de Hugo Cabret"
 "Tão forte e tão perto" 
Melhor ator
Demián Bichir - "A better life"
George Clooney - "Os descendentes"
Jean Dujardin - "O artista"
Gary Oldman - "O espião que sabia demais"
Brad Pitt - "O homem que mudou o jogo"
Ator coadjuvante
Kenneth Branagh - "Sete dias com Marilyn"
Jonah Hill - "O homem que mudou o jogo"
Nick Nolte - "Warrior"
Max Von Sydow - "Tão forte e tão perto"
Christopher Plummer - "Beginners"

Melhor animação
"A Cat in Paris"
"Chico & Rita"
"Kung Fu Panda 2"
"Gato de Botas"
"Rango"

Melhor atriz
Glenn Close - "Albert Nobbs"
Viola Davis - "Histórias cruzadas"
Rooney Mara - "Os homens que não amavam as mulheres"
Meryl Streep - "A dama de ferro"
Michelle Williams -"Sete dias com Marilyn"



Melhor atriz coadjuvante
Octavia Spencer - "Histórias cruzadas"
Bérénice Bejo - "O artista"
Jessica Chastain - "Histórias cruzadas"
Janet McTeer - "Albert Nobbs"
Melissa McCarthy - "Missão madrinha de casamento"

Melhor roteiro original
"O artista"
"Missão madrinha de casamento"
"Margin Call"
"Meia-noite em Paris"
"A separação"

Trilha sonora original
"As aventura de Tintim" - John Williams
"O Artista" - Ludovic Bource
"A invenção de Hugo Cabret" - Howard Shore
"O espião que sabia demais" - Alberto Iglesias
"Cavalo de guerra" - John Williams

Canção original
"Man or Muppet", de "Os Muppets", música e letra de Bret McKenzie
"Real in Rio", de "Rio", música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown, letra de Siedah Garrett

Maquiagem
"Albert Nobbs"
"Harry Potter"
"A dama de ferro"

Direção de arte

"O artista"
"Harry Potter"
"A invenção de Hugo Cabret"
"Meia-noite em Paris"

"Cavalo de guerra"

Fotografia
"O artista"
"Os homens que não amavam as mulheres"
"A invenção de Hugo Cabret"
"A árvore da vida"
"Cavalo de guerra"

Figurino
"Anonymous"
"O artista"
"A invenção de Hugo Cabret"
"Jane Eyre"
"W.E."

Diretor
Michel Hazanavicius - "O artista"
Alexander Payne - "Os descendentes"
Martin Scorsese - "A invenção de Hugo Cabret"
Woody Allen - "Meia-noite em Paris"
 Terrence Malick - "A árvore da vida"

Documentário (longa-metragem)
"Hell and Back Again"
"If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front"
"Paradise Lost 3: Purgatory"
"Pina"
"Undefeated"

Documentário (curta-metragem)
"The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement"
"God Is the Bigger Elvis"
"Incident in New Baghdad"
"Saving Face"
"The Tsunami and the Cherry Blossom"

Edição
"O artista"
"Os descendentes"
"Os homens que não amavam as mulheres"
"A invenção de Hugo Cabret"
"O homem que mudou o jogo"

Melhor filme em língua estrangeira
"Bullhead" - Bélgica
"Footnote" - Israel
"In Darkness" - Polônia
"Monsieur Lazhar" - Canadá
"Separação" - Irã

Curta-metragem de animação
"Dimanche"
"The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore"
"La Luna"
"A Morning Stroll"
"Wild Life"

Curta-metragem
"Pentecost"
"Raju"
"The Shore"
"Time Freak"
"Tuba Atlantic"


Edição de som
"Drive"
"Os homens que não amavam as mulheres"
"A invenção de Hugo Cabret"
"Transformers: o lado oculto da lua"
"Cavalo de guerra"

Mixagem de som
"Os homens que não amavam as mulheres"
"A invenção de Hugo Cabret"
"O homem que mudou o jogo"
"Transformers: o lado oculto da lua"
"Cavalo de guerra"


Efeitos visuais
"Harry Potter"
"A invenção de Hugo Cabret"
"Gigantes de aço"
"Planeta do macacos"
"Transformers: o lado oculto da lua"

Roteiro adaptado
"Os descendentes"
"A invenção de Hugo Cabret"
 "Tudo pelo poder"
"O homem que mudou o jogo"
"O espião que sabia demais"